LITURGIA – 1° Domingo da Quaresma

Sábado, 21 (noite) e Domingo, 22 de Fevereiro de 2026

1º Domingo da Quaresma, Ano A

Hoje, omite-se a Festa de Cátedra de São Pedro, Apóstolo

Leituras:

Gn 2,7-9.3,1-7

Sl 50(51),3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

Rm 5,12-19 ou mais breve 5,12.17-19

Mt 4,1-11

PRIMEIRA LEITURA

Criação e pecado dos primeiros pais.

Leitura do Livro do Gênesis 2,7-9; 3,1-7

7 O Senhor Deus formou o homem do pó da terra,
soprou-lhe nas narinas o sopro da vida
e o homem tornou-se um ser vivente.

8 Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden,
ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado.

9 E o Senhor Deus fez brotar da terra
toda sorte de árvores de aspecto atraente
e de fruto saboroso ao paladar,
a árvore da vida no meio do jardim
e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

3,1 A serpente era o mais astuto de todos os animais dos
campos que o Senhor Deus tinha feito.
Ela disse à mulher:
“É verdade que Deus vos disse:
‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’ “

2 E a mulher respondeu à serpente:
“Do fruto das árvores do jardim, nós podemos comer.

3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim,
Deus nos disse:
‘Não comais dele nem sequer o toqueis,
do contrário, morrereis.’ “

4 A serpente disse à mulher:
“Não, vós não morrereis.

5 Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes,
vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus
conhecendo o bem e o mal”.

6 A mulher viu que seria bom comer da árvore,
pois era atraente para os olhos
e desejável para se alcançar conhecimento.
E colheu um fruto,
comeu e deu também ao marido, que estava com ela,
e ele comeu.

7 Então, os olhos dos dois se abriram;
e, vendo que estavam nus,
teceram tangas para si com folhas de figueira.
Palavra do Senhor.


Salmo responsorial
Sl 50(51),3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

R. Piedade, ó Senhor, tende piedade,
    pois pecamos contra vós.

3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!

4 Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa! R.

5 Eu reconheço toda a minha iniquidade,*
o meu pecado está sempre à minha frente.

6a Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,*
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! R.

12 Criai em mim um coração que seja puro,*
dai-me de novo um espírito decidido.

13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,*
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! R.

14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo*
e confirmai-me com espírito generoso!

17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,*
e minha boca anunciará vosso louvor! R.

SEGUNDA LEITURA

Onde se multiplicou o pecado, aí superabundou a graça.

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 5,12-19

Irmãos:

12 Consideremos o seguinte:
O pecado entrou no mundo por um só homem.
Através do pecado, entrou a morte.
E a morte passou para todos os homens,
porque todos pecaram..

13 Na realidade, antes de ser dada a Lei,
já havia pecado no mundo.
Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei.

14 No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés,
mesmo sobre os que não pecaram como Adão, o qual era a figura provisória daquele que devia vir.

15 Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus
seja comparável à falta de Adão!
A transgressão de um só
levou a multidão humana à morte, mas
foi de modo bem mais superior que a graça de Deus,
ou seja, o dom gratuito
concedido através de um só homem,
Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos.

16 Também, o dom é muito mais eficaz
do que o pecado de um só.
Pois a partir de um só pecado
o julgamento resultou em condenação,
mas o dom da graça frutifica em justificação,
a partir de inúmeras faltas.

17 Por um só homem, pela falta de um só homem,
a morte começou a reinar.
Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só,
Jesus Cristo, os que recebem o dom
gratuito e superabundante da justiça.

18 Como a falta de um só acarretou condenação
para todos os homens,
assim o ato de justiça de um só trouxe,
para todos os homens, a justificação que dá a vida.

19 Com efeito, como pela desobediência de um só homem
a humanidade toda foi estabelecida numa situação de
pecado, assim também, pela obediência de um só,
toda a humanidade passará para uma situação de justiça.
Palavra do Senhor.


Aclamação ao Evangelho
Mt 4,4b
R. Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, Palavra de Deus.
V. O homem não vive somente de pão, 

    mas de toda a palavra da boca de Deus.

EVANGELHO

Jesus jejuou durante quarenta dias e foi tentado.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 4,1-11
Naquele tempo,

1 o Espírito conduziu Jesus ao deserto,
para ser tentado pelo diabo.

2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites,
e, depois disso, teve fome.

3 Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus:
“Se és Filho de Deus,
manda que estas pedras se transformem em pães!”.

4 Mas Jesus respondeu: “Está escrito:
‘Não só de pão vive o homem,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus'”.

5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa,
colocou-o sobre a parte mais alta do Templo,

6 e lhe disse: “Se és Filho de Deus,
lança-te daqui abaixo!
Porque está escrito:
‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito,
e eles te levarão nas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra'”.

7 Jesus lhe respondeu: “Também está escrito:
‘Não tentarás o Senhor teu Deus!'”

8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte
muito alto.

Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória,

9 e lhe disse: “Eu te darei tudo isso,
se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.

10 Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás,
porque está escrito:
‘Adorarás ao Senhor teu Deus
e somente a ele prestarás culto'”.

11 Então o diabo o deixou.
E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.
Palavra da Salvação.

REFLEXÃO

Neste 1º Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus nos conduz às origens da nossa história: a criação, o pecado e a promessa de redenção. No Gênesis, contemplamos o homem formado do pó da terra, mas animado pelo sopro de Deus. Somos frágeis, sim, mas carregamos dentro de nós o hálito do próprio Criador. No entanto, ao ceder à tentação, Adão e Eva escolheram desconfiar de Deus. O pecado nasce quando o ser humano deseja ocupar o lugar do Senhor, rompendo a harmonia com Deus, com o próximo e com a criação.

O Salmo 50 nos coloca numa atitude humilde e penitente: “Criai em mim um coração que seja puro”. A Quaresma começa exatamente assim: reconhecendo nossa fraqueza e pedindo um coração novo. Não é um tempo de tristeza estéril, mas de conversão sincera. É o momento de voltar ao essencial, de permitir que Deus refaça em nós a beleza original que o pecado obscureceu.

São Paulo, na Carta aos Romanos, amplia nosso horizonte: se por um homem entrou o pecado no mundo, por um só — Jesus Cristo — veio a graça superabundante. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. A desobediência de Adão é vencida pela obediência de Cristo. O que foi perdido no Éden começa a ser restaurado no deserto.

No Evangelho, vemos Jesus enfrentando as tentações. Ele jejua, sente fome, é provado. Diferente de Adão, que caiu diante da sedução, Cristo permanece fiel. Ele não transforma pedras em pão para satisfazer-se, não busca glória fácil, não se curva diante do poder. Sua força está na Palavra e na confiança absoluta no Pai. O deserto não é lugar de derrota, mas de decisão. Ali se revela que a verdadeira vida não depende apenas do pão material, mas da fidelidade a Deus.

À luz da Campanha da Fraternidade deste ano, somos chamados a viver a conversão não apenas de modo individual, mas também comunitário. A Quaresma nos recorda que o pecado fere relações — com Deus, com os irmãos e com toda a criação — e que a graça nos convida à reconstrução da fraternidade. Converter-se é restaurar vínculos, é escolher a vida, é assumir responsabilidade pelo mundo que habitamos.

Assim, este tempo santo nos propõe três caminhos concretos: oração, jejum e caridade. A oração nos fortalece na escuta da Palavra; o jejum nos educa para a liberdade interior; a caridade nos abre ao cuidado do outro. São respostas práticas às tentações do egoísmo, do poder e da indiferença.

Neste início de Quaresma, o Senhor nos conduz ao deserto para purificar nossos desejos e renovar nossa esperança. Que, sustentados pela graça de Cristo, possamos caminhar rumo à Páscoa com um coração reconciliado, mais fraterno e mais fiel. Que a misericórdia de Deus nos recrie e faça de nós sinais vivos de amor no mundo.

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